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A metamorfose de um corredor eléctrico
A ideia HVAC já fervilhava em algumas pranchetas EDM/1990s, mas foi preciso dobrar o milénio para que desabrochasse em roadshows internacionais - mascarada de 400 kV (um padrão de voltagem imposto a Moçambique pela Eskom/Mozal).
Financeiramente, a época era a da “exuberância irracional” e, na circunstância, além de uma despropositada mega-barragem no Zambeze, a EDM e UTIP (apoiadas por caríssimos consultores) pretendiam impingir-nos a ideia de que um sistema de transmissão 400 kV AC seria o meio mais apropriado para evacuar potência ao longo dos 1600 km de Tete a Maputo.
Incidentalmente, vale a pena aqui lembrar que, embora em Londres/Frankfurt/Paris/Beijing já se propusesse uma dupla linha, pouco tempo antes os promotores MNK ainda oscilavam entre a hipótese de uma única linha 400 kV (AC) e o respaldo de quatro delas.
Descontando algumas inócuas mirabolâncias, este marketing 2 em 1 em Mphanda Nkuwa (uma desancorada mega-barragem mais um absurdo sistema 400 kV AC num pacote de USD 3.5 biliões) deu em nada. E ainda bem!
Lamentavelmente, nunca nenhum dos promotores publicamente explicou o porquê de tanto insucesso de marketing; e é pena porque a coisa já custou dezenas de milhões USD aos cofres públicos – fora eventuais facilitismos ao samba project finance.
Ainda na trilha deste esconde-esconde do costume, é curioso notar que continua a saber-se quase nada da novíssima série de milionários estudos que, muito à pressa, os promotores contrataram via sui generis financiamento World Bank.
Sabe-se apenas que a ilusão inchou.
E, pelo que anuncia o Notícias (29 aug 2008) a veleidade de transmissão eléctrica Tete-Maputo roça agora uns alucinantes 9,200 MW que, necessariamente, implicarão o aborto do mal-formado conceito de transmissão em vigor na EDM/UTIP.
Embora este aborticídio me acaricie o ego electrotécnico, e poupe umas belas ma$$as à República, não me antevejo aos saltos quando, mais dia, menos dia, ele for oficialmente anunciado.
E a razão é simples: porque do acto não resultará substância celebrável – nem sequer uma metamorfose.
De facto, segundo o que leio nas cartas, a curto-médio prazo, o dito corredor Tete-Maputo permanecerá circunscrito ao foro da ficção académica - e ainda bem, já que ele continua a ser um bom exercício escolar … como prova em anexo. E também duvido muito que alguém, credível, banque este alucinante corredor de 9,200 MW.
Desde logo porque a fantasia assenta em três premissas de mercado que, para mim, são falsas:
(1) massivas exportações para uma África do Sul crescentemente isolacionista e em acelerada nuclearização;
(2) uma expansão alumineira em Maputo (Mozal 3) que deixou de existir nos planos médio-prazo da BHP Billiton;
(3) um Zimbabwe a permanecer moribundo e electricamente inactivo.
Mas também porque, mergulhar-se em ficções deste tipo nos tempos SoS que correm, significa alienar gerações distribuídas e seguranças eléctricas acrescidas – a somar ao desperdício de muito tempo e recursos.
josé lopes
setembro 12, 2008
ps – e quando um dia for caso disso, estes corredores eléctricos Norte-Sul serão feitos, não em corrente alternada (AC) como a EDM & UTIP têm vindo a sugerir, mas em corrente contínua (HVDC) pró-multiterminal.
(1) EDM = Electricidade de Moçambique; UTIP = Unidade Técnica de Implementação de Projectos (Ministério da Energia/Moçambique).
(2) HVAC—High Voltage Alternating Current (alta voltagem corrente alternada) |
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xitizap # 40 |
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SoS sul-africano |
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metamorfose HVAC |
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gerações distribuídas |
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planning assumptions |
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Massingir e os Crocs |
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soltas |
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Finalmente abortados os 400 kV (EDM/UTIP)
Foi ontem (Set 22, 2008) oficialmente abortado o mal-parido conceito de transmissão 400 kV AC que desde há anos tem vindo a ser proposto pela EDM e UTIP em vários road shows locais e internacionais.
Em declarações à imprensa, o Ministro da Energia acaba de anunciar que, em resultado de novos estudos, a hipotética evacuação de novas potências de Tete para Maputo será feita a 765 kV AC, numa primeira fase através de uma única linha de transmissão!
Ainda segundo as mesmas autoridades, esta hipótese poderá vir a ser orçada em cerca de USD 2.5 biliões, o que, magicamente, equivale a metade dos valores normalmente referidos pela indústria eléctrica - ou seja, perto de USD 5 biliões correntes (ver quadro ABB).
Na ocasião, uma das justificações apresentadas para esta promoção conceptual é a de que só assim se poderia “reduzir a dependência da África do Sul” – uma posição muito pouco pró-SADC sugerindo que, lamentavelmente, o isolacionismo SoS começa a grassar por tudo o que é lado.
Como se poderá depreender, e muito embora seja de louvar a tentativa de rectificação dos absurdos conceitos anteriores (400 kV), em minha opinião, esta nova peça de ficção 765 kV continuará a restringir-se aos domínios da pura especulação académica. |
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update 23 September 2008 |
