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SPL - dejectos da Mozal



como é hábito

há dias re-visitei o perímetro de Mavoco na busca de sinais do SPL (Spent Pot Lining) - uma massa de resíduos perigosos que os fornos da Mozal entranham (ver xitizap # 5 e 6).


curiosamente - e apesar da fanfarra inaugural da lixeira - não detectei traços de actividade,  para além da cerrada vigilância dos seguras.


quatro meses após a Mozal ter lavado as mãos nesta mega lixeira, os circuitos hidráulicos continuam por estrear, o lençol de retenção permanece imaculadamente virgem ...  e as palhotas por ocupar. A avenida SPL, ligando a Mozal à lixeira de Mavoco, estava às moscas - e o pavimento não sugeria uso recente.


Infelizmente

nada indica que a Mozal haja alterado os seus planos para o manuseamento do SPL - numa perspectiva DANO ZERO ... como dizem os seus mega-placards.


provavelmente

este vazio operacional da lixeira de Mavoco não passará de um mero hiato de produtividade - por parte dos donos e gestores dos despejos. E, assim sendo, as primeiras toneladas de SPL da Mozal permanecem armazenadas nas instalações da alumineira. Uma solução que, embora previna contaminações imediatas, é extremamente inconveniente para a Mozal.


Como repetidamente se tem vindo a berrar (ver xitizap # 5 e 6), o SPL (Spent Pot Lining) é hoje um dos maiores problemas ambientais que se colocam a quem tem que suportar alumineiras. E desde há muito que os lideres da indústria procuram soluções mais consentâneas com a protecção da Terra.


particularmente porque, hoje em dia, ninguém parece disposto a pactuar com lixeiras tipo Mavoco. Inclusive, os grandes da indústria alumineira.


Como é o caso da Alcan Inc. (NYSE, TSX:AL) que, num press release de Outubro 2003, anunciou um investimento de mais de $ 100 milhões para a construção de uma estação de tratamento de SPL em Saguenay (Canadá).


A estação manuseará anualmente 80 000 toneladas de SPL, e utilizará o processo LCLL (Low Caustic Leaching & Liming) desenvolvido pela equipa R & D da Alcan.

Cynthia Carrol, presidente da companhia para o sector Primary Metal, mostra-se orgulhosa com o novo investimento já que "esta tecnologia não só tratará o SPL, como também reciclará completamente as substancias componentes. Temos aqui um grande exemplo ... em como encontrar soluções sustentáveis e financeiramente atractivas."


E Ms. Carrol prossegue: "desde há muito que a maior parte dos produtores de alumínio persegue um modo de tratar o SPL que também crie valor. A Alcan identificou o (processo) LCLL como a opção mais atractiva, e seguiu em frente no desenvolvimento da tecnologia."


num outro contexto


e como corolário da sua decisão em não mais aterrar os dejectos SPL, em 1992 a Alcoa - um outro grande produtor mundial de alumínio - decidiu investir forte na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que permitissem resolver o problema destes perigosos resíduos.


26 milhões de dólares depois, a Alcoa (em parceria com a Portland Aluminium, a Ausmelt e o CSIRO) anunciava a maturação tecnológica do Alcoa Portland SPL Process. Uma tecnologia que não só permite anular os perigos do SPL, como também conduz à reciclagem dos fluoretos de alumínio necessários à diluição da alumina - o que reduz custos na aquisição destes químicos.


Ken Mansfield, gestor do Projecto SPL Alcoa, refere ainda que a instalação de um sistema de granulação do SPL (em 2001) permitiu que do processo resultasse um outro subproduto com interessante valor comercial - um granulado vítreo que, dada a sua inocuidade ambiental, poderá ser utilizado na composição de solos em estradas - como aliás o atestou a Environmental  Protection Agency de Victoria (Austrália).


segundo Ken Mansfield, a empresa está deliciada com os resultados. "O tratamento de SPL é um processo dispendioso, mas atingir este marco ambiental - no qual o valor dos subprodutos cobre parcialmente os custos - é um resultado extraordinário."

Recorde-se que, só a Portland Aluminium tem actualmente mais de 75 000 toneladas de SPL armazenados em contentores especiais no interior de edifícios especialmente ventilados - à espera de serem adequadamente tratados.


entretanto ...


e após a correcção dos grosseiros erros iniciais, o estudo de impacto ambiental da fase II da Mozal indica que, ao longo da sua actividade, a Mozal excrementará dezenas de milhar de toneladas SPL.


a solução adoptada pela Mozal na lixeira de Mavoco, - e que foi publicitada como uma solução de classe mundial - terá custado uns meros $ 2 milhões USD. Incluindo a faustosa Avenida SPL , o cocktail inaugural, e outros custos de transferencia.


eventualmente

este baixíssimo custo da alternativa Mavoco - comparado com as tecnologias Alcoa e Alcan - e sobretudo a facilidade com que se transferiu a operação do processo para o MICOA, poderá sugerir um processo Billiton - tecnologicamente revolucionário.


de momento, não sei.

Continuo à espera que me elucidem sobre o processo Mavoco SPL.

E que de caminho se prestem garantias quanto à não-contaminação da bacia do Rio Movene - um rio que, em Maputo / Matola, dá água a 2 milhões de pessoas.


josé lopes


mavoco

dezembro 2003

dezembro 2003

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