|
xitizap # 27
Inverno 2006 |


|
Terminais e armazéns LPG - Matola
Na sequência da actual crise de gás em Moçambique, o Ministério da Energia (ME) anunciou a imediata abertura de um novo concurso IMOPETRO para o fornecimento de 16,000 toneladas de LPG “via terrestre ou marítima”.
O ME anunciou ainda que, brevemente, a Petromoc daria início à “avaliação dos pormenores necessários para a reabilitação dos reservatórios na Matola” com o objectivo de se duplicar a actual capacidade de armazenagem de LPG (aprox. 700 toneladas). Note-se que, actualmente, o consumo de LPG, praticamente restringido a Maputo e Sul de Moçambique, anda à volta de 14,000 toneladas anuais.
Apesar de tardia, a intenção de ambas as medidas é boa, e daqui as saúdo.
Colocam-se-me apenas algumas dúvidas de escala e geografia; e também quanto às opções reabilitação-ou-construção-de-raiz. Em particular se se considerar a necessidade de articular estas iniciativas com a possível instalação de uma “destilaria” dos condensados do gás natural de Temane/Pande.
Mas isto é conversa para outra ocasião porque, no essencial, nesta altura o que me parece importante é facilitar estas iniciativas LPG por via de refrescamento memorial.
E já lá vão quase 20 anos, quando o Governo moçambicano solicitou e obteve assistência técnica e financeira da ASDI (Suécia) para se instalar um sistema alternativo à rota terrestre (rodo-ferroviária) da importação de LPG da África do Sul.
À época, a refinaria Petromoc já havia cessado operações, Maputo consumia 8,000 tpa de LPG e, para além da notória antipatia dos fornecedores sul-africanos do então regime do apartheid, começavam a ser frequentes as sabotagens às vias ferro-rodoviárias … para não falar das eléctricas.
Havia pois que equacionar a possibilidade de uma rota LPG alternativa, via marítima naturalmente, já que este combustível era essencial no muito depauperado cenário energético da altura.
Concluídos os estudos de viabilidade técnico-económica, e assegurados os financiamentos, para apreciação Petromoc foram atempadamente submetidos os cadernos de encargos que permitiriam lançar a empreitada LPG.
Como parte integrante dos cadernos de encargos, era disponibilizado um relatório da pormenorizada inspecção técnica SGS às instalações LPG da Petromoc e Moçacor.
Um relatório SGS que abria assim:
“A condição geral das instalações é de séria negligência e mínima manutenção, ligada a duvidosas reparações executadas com o propósito de manter as instalações em funcionamento.”
Tanto quanto me lembro, o projectado investimento Petromoc incluía:
. dois pipelines LPG, um de 4” e outro de 6”, ligando os tanques da Petromoc a um terminal no Cais Matola - incluindo adequados sistemas de descarga dos navios LPG.
. reabilitação da tankagem LPG da Petromoc e Moçacor, incluindo os sistemas de refrigeração dos depósitos Petromoc.
. sistema de combate a fogos (sprinklers et al) e rede eléctrica das instalações LPG.
Em finais de 1990, opções pessoais, no essencial ligadas a um diferendo com o World Bank (IDA 2033/MZ), levaram-me a deixar o então Ministério da (Indústria) e Energia, e a EDM. Deixei assim de acompanhar este projecto que dificilmente havia montado com a ASDI, Petromoc e Moçacor.
Não faço a mínima ideia quanto ao que se passou depois.
Sei apenas que, hoje, não há adequada tankagem, nem sequer sistemas seguros e eficazes para descarga marítima nos cais da Matola e/ou Maputo.
Impenitentemente curioso, lá estarei a aprender como se descarregarão os navios LPG deste novo concurso IMOPETRO.
josé lopes
num pipeline de memórias (agosto 2006)
ps – os relatórios a que aludo certamente que poderão ser consultados nos arquivos Petromoc. E há dois que me merecem especial referência:
1. Contract for Design and Installation of LPG pipelines and related equipment at Matola refinery (várias actualizações 89-91).
2. LPG Tank Farm at Matola and Moçacor – Inspection and Rehabilitation Procedures. Feita em 1990, não serve para agora, mas continua a ser um bom case-study da inspecção LPG.
|

