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Da Mesopotâmia, a terra entre os rios Tigre e Eufrates, chegam-nos registos históricos datando de 3500 a.C. (antes de Cristo).
Palco de uma profícua babel de culturas, na Mesopotâmia o centro de poder ia alternando entre as cidades de Ur, Nineveh, e Babilônia, o que não impedia que os astrónomos, e em particular os babilônios, fossem mantendo cuidadosos registos dos acontecimentos celestiais - incluindo os movimentos de Mercúrio, Vénus, Sol, Lua, como o comprovam algumas tábuas de argila datadas de 1700 a 1681 a.C. que foram sobrevivendo aos tempos.
As principais fontes da matemática astronómica surgem de facto no Velho Império da Babilônia (1900-1600 a.C.), onde eram fortes as influências dos Sumérios e Acádios, e, naturalmente, muito do seu desenvolvimento ficou a dever-se às necessidades de rigor nos calendários sociais e agrícolas e, de alguma forma, nas artes militares. |
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O calendário babilônio era lunar e, por essa razão, os astrónomos estavam particularmente interessados em prever o aparecimento da Lua em quarto crescente, e se o mês teria 29 ou 30 dias. E porque sabiam que tudo isso dependia da posição relativa entre o Sol e a Lua, os astrónomos babilônios foram impelidos a abordar o movimento aparente dos astros – uma nova e gigantesca aventura na mecânica celeste.
O mais antigo registo de um eclipse total do Sol na região da Mesopotâmia reporta-se a um eclipse observado em Ugarit, 1375 a.C. que documentos posteriores identificam como tendo na verdade ocorrido em 1063 a.C.
E em termos de detalhe crónico é interessante notar o modo como, muito mais tarde, um escriba do rei, Rasil o Mais Velho, se referiu a um outro eclipse solar, agora o de 27 Maio 669 a.C.:
Se ao nascer, o Sol parecer um crescente e vestir uma coroa como a Lua, o Rei capturará a terra do seu inimigo: o mal deixará a terra, e a terra experimentará o bem.
Entretanto, é geralmente aceite entre os historiadores que uma famosa tábua de argila, conhecida como Plimpton 322 e hoje mantida na Universidade de Columbia (New York), demonstra o facto de os matemáticos babilônios terem prescientemente apreendido o teorema dito de Pitágoras em época tão remota como 1800-1650 a.C. ou seja, muito antes dos chineses, para não falar do próprio Pitágoras.
Segundo alguns historiadores da matemática, este avançado domínio da geometria e de equações algébricas poderá ter dado início a uma certa formulação trigonométrica que, eventualmente, terá permitido a elaboração do ciclo de repetição dos eclipses lunares, o ciclo Saros. Uma invenção que poderá ser atestada, por exemplo, num fragmento de tábua de argila que sobreviveu aos tempos e onde é registada uma lista de eclipses entre 373 e 227 a.C. abarcando 223 meses sinódicos. |
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Ainda hoje, 2006, e muitas civilizações depois, o ciclo Saros - uma ferramenta que permitia aos babilônios prever eclipses a longo prazo - permanece uma referência incontornável na previsão de eclipses. |
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