o antigo Egipto,

 

como civilização que permeou 4000 anos de cultura, deixou pouca substância histórica como registo da sua matemática astronómica.

 

Quase tudo o que se sabe sobre o conhecimento astronómico do antigo Egipto chega-nos através de pinturas tumulares, de várias inscrições em templos e de um punhado de papiros - como o Rhind Papyrus e o Papiro de Moscovo que são tidos como as melhores fontes conhecidas.

 

O Rhind Papyrus foi escrito por volta de 1650 a.C. por um escriba chamado Ahmes, que confirma estar copiando um original com mais de 200 anos. Escrito em comum hierático, ao invés dos hieróglifos que eram preferidos na escrita ornamental, o papiro contém 87 problemas e respectivas soluções, e nele também se descrevem alguns eclipses do Sol e da Lua, mas de um modo que os egiptólogos modernos consideram como babilônio.

 

Naturalmente, o conhecimento do estágio da matemática e astronomia do antigo Egipto é necessariamente limitado por uma genuína escassez de evidências e, por isso mesmo, é por vezes tentador considerar essa matemática e essa astronomia como estádios de não-avanço relativamente ao nível atingido pelos Babilônios.

 

Mas, muito provavelmente, a questão não será assim tão simples.

 

Especialmente se se atender à rigorosa geometria utilizada na construção das pirâmides, aos rigorosos alinhamentos em templos e monumentos e, já agora, à eficiência com que os egípcios geriam o seu vasto império. E, por discretas que sejam, há outras evidências que são igualmente importantes em termos astronómicos: é egípcio o relógio solar mais antigo (1500 a.C.) e, nos tectos de Senmut, pintados circa 1460 a.C., identificam-se objectos celestiais como Orion, Sirius e os planetas Mercúrio, Vénus, Júpiter e Saturno.

 

Porém, o facto é que, para além de magníficas representações, são historicamente incipientes os materiais documentando a genuína astronomia egípcia.

 

Não existe documentação acerca de observações astronómicas indigenas, ou sobre a produção de tabelas astrais, e no Rhind Papyrus o escriba Ahmes admite estar a copiar registos babilônios.

 

Egiptólogos há até sustentando que, pelo menos à distância, nada evidencia que o interesse dos antigos egípcios pela astronomia tivesse ido muito além da decoração tumular - e mesmo assim com algum descuido, como eles insinuam a propósito das últimas tumbas egípcias.

 

Numa delas, por exemplo, os egiptólogos apontam o caso de um sistema de estrelas em malha que é elaboradamente pintado com inscrições que o papiro Demotic ajudou a decifrar. Ao que parece, os artesãos que adicionaram tais inscrições ter-se-ão tomado de grandes liberdades artísticas ao interpretaram a informação astronómica já que os esquemas iniciais, posteriormente sobrepostos, seriam muito mais rigorosos que as representações finais.

 

Num outro intrigante caso, Amenhope, no seu Catálogo do Universo (1100 a.C.), regista os corpos celestiais por ele conhecidos e identifica as principais constelações; estranhamente, o catálogo não referencia a estrela Sirius nem nenhum dos planetas que era suposto serem já conhecidos pelos egípcios.

 

Mas, no meio de todos estes estranhos hiatos que permeiam o conhecimento astronómico egípcio, o que terá de facto acontecido a 4000 anos de astronomia faraônica?

 

E este parece ser um bizarro mistério, sobretudo porque as civilizações antigas da Mesopotâmia, Egipto, Síria, Ásia Menor e Grécia sabiam como instituir bibliotecas e arquivos como forma de preservar suas memórias culturais

 

Seria em Alexandria

que se escondia a chave destes mistérios?