Plantas GM serão usadas na criação de Vacina anti SIDA

 

Steve Connor

Science Editor

The Independent – UK

 

july 2004

 

 

Plantas geneticamente modificadas estão prestes a ser usadas no cultivo de vacinas contra raivas e SIDA, anunciaram alguns cientistas.

 

A primeira experimentação de campo da Europa deverá ocorrer na África do Sul devido a receios quanto aos vandalismos sobre esse tipo de culturas em Inglaterra - foi anunciado recentemente.

 

As culturas GM poderão reduzir dramaticamente o custo de produção de vacinas – e, segundo estimam alguns cientistas, elas poderão ser produzidas a um preço entre 1/10 e 1/100 do das imunizações convencionais.

 

Alcunhada de farmo-cultura (pharming) pelos seus oponentes, este é o mais recente passo em tecnologias possibilitando o cultivo de fármacos em plantas.

 

Embora o projecto diga respeito a vacinas injectáveis, estão a ser consideradas outras experimentações – tais como vacinas orais susceptíveis de crescimento em alimentos primários, como a banana.

 

Preocupações quanto à acção directa por parte de ambientalistas que se opõem às culturas GM levaram os cientistas por detrás do projecto a colaborar com um instituto de pesquisa sul-africano que se ofereceu para aí lançar a primeira cultura.

 

A União Europeia (EU) atribuiu 12 milhões de Euros a um consórcio de cientistas pan-europeus que visa desenvolver a tecnologia de cultivo de plantas GM que possam servir como vacinas contra uma gama de doenças comuns ao mundo em desenvolvimento.

 

O Professor Julian Ma da St George’s Hospital Medical School em Londres, o coordenador científico do projecto, refere que ainda serão necessários cerca de dois anos de desenvolvimento tecnológico antes que seja lançada a primeira cultura – prevista para 2006.

 

Os teste clínicos da primeira vacina derivada de plantas GM estão planeados para 2009.

 

“As plantas são baratas em termos de cultura e, se as engenheirarmos contendo um gene para um produto farmacêutico, elas poderão produzir grandes quantidades de remédios ou vacinas a baixo custo,” disse o Professor Ma.

 

“Os métodos correntemente utilizados para gerar este tipo de tratamentos são de mão-de-obra intensiva, caros e frequentemente produzem apenas pequenas quantidades de fármacos,” disse ele.

 

É provável que a primeira cultura de fármacos seja, ou de milho GM, ou de tabaco GM engenheirados com um conjunto de genes para produzirem protótipos de vacinas contra quer a SIDA, quer raivas. Ao purificarem as proteínas da colheita recolhida, esses cientistas esperam produzir massivamente vacinas a uma fracção dos custos correntes.

 

O sul-africano CSIR (Council for Scientific and Industrial Research) participa na pesquisa e está particularmente interessado em potenciais vacinas contra o HIV, o vírus da SIDA.

 

Clare Oxborrow, militante dos Friends of the Earth, disse: “Cultivar medicamentos em plantas tem sérias implicações na saúde humana e ambiente. Nós reconhecemos a necessidade de fármacos acessíveis a pessoas com doenças mortalmente ameaçadoras, mas esta pesquisa poderá ter amplos impactos negativos.”

 

O Professor Ma referiu que 3.3 milhões de pessoas morrem anualmente de doenças susceptíveis de prevenção – como a tuberculose e difteria – e, mesmo assim, não há ainda capacidade industrial ou fundos para produzir vacinas suficientes para toda a gente. “O custo de nada-fazer é medido em milhões de pessoas que morrerão destas preveníveis doenças,” disse ele.

 

tradução livre por xitizap

 

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